Nunca
Nunca gostei da dependência, do apoio. Pra ser bem sincera, sempre gostei dessa história de fazer parte de uma manada de uma loba solitária. Nunca fui exatamente independente, mas feriria meu coração se eu soubesse que alguém depende de mim. Duas almas em uma, juntar as peças do meu coração, nunca foram o meu feitio. Apreciava a solidão, e por ela eu me reconfortava. Mas não mais. O meu orgulho já está cansado de percorrer longas distâncias, e minha mente percebe a consequência disso. Está na hora de abraçar a vulnerabilidade e me permitir sentir alguma coisa.
Nunca senti. Nunca. Nunca senti isso, nunca senti aquilo. Nunca amei. Mas é chegada a hora de me permitir.
Vejo vocês do outro lado. Me desejem boa sorte.
O-que-fazer-comigo-mesma-?
Passamos muito tempo pensando. Pensando em coisas para fazer, coisas que nunca iríamos fazer, ou até mesmo coisas que nunca iremos compartilhar.
Gostaria que chegasse um dia em que eu conseguisse compartilhar isso que sinto, mas principalmente, compartilhar com alguém que entendesse. Alguém que passe pelo o que eu passo, e não alguém que me ache lunática e sinta vontade de me colocar num hospício. Ou alguém que me ache doente e queira me internar num hospital. Ou até mesmo alguém que me julga exagerada, como se o que eu falasse não condissesse com o que eu realmente sinto. Meus caros, eu só falo o que sinto. Quando eu digo “Você não entende, ninguém me entende. Ninguém sabe o que se passa aqui.”, é porque realmente é verdade. Sou uma pessoa que não tem a habilidade da mentira. Acho que nasci com defeito. Minha mente pode mandar fazer algo errado, mas minha boca sabe o certo a fazer.
Estou esperando - lê-se: desesperadamente necessitando - alguém que faça sair por entre meus lábios a frase: “Você realmente me entende.” E que queira traçar este caminho comigo. Um ombro amigo, uma ajuda. Um companheiro, um igual.
Vítima da minha mente
Cheguei a um ponto em que tenho medo de não me lembrar do caminho de volta. Nunca realmente achei que veria o ambiente por aqui, mas não é bonito. É escuro, desconfortável e meu corpo parece não suportar. É possível ver e sentir as marcas que ele está deixando na crosta do meu corpo e em seu núcleo. Pra falar a verdade, eu preferiria nunca ter chegado neste lugar. Nunca ter visto seu semblante. Não fiz nenhum esforço para chegar aqui, mas terei que fazer muito uso dele pela frente.
Uma vez uma pessoa me disse que quando as pessoas se sentiam assim, exatamente como me sinto agora, era a escuridão puxando o pé. Como quem diz: “Vem dar uma espiadinha, venha ver o que você está perdendo.” Mas só o que consigo ver é o que eu estou perdendo por dar essa “espiadinha”. Estou perdendo coisas que nunca pensei que teria, e que já não sei se com o tempo ainda terei.
Acredito que o tempo e a perseverança são meus maiores aliados no caminho de volta.